Qual será o sabor da cicuta, o frio da altura, ou a queda ao fundo...
O Paraíso paira noir
sexta-feira, 23 de maio de 2025
TEXTURA
Qual será o sabor da cicuta, o frio da altura, ou a queda ao fundo...
sábado, 6 de abril de 2024
Flores de abril e maio
Às vezes penso que soou falsa em relação a algum sentimento
Daí me recordo que meu ascendente em gêmeos não me deixa mentir
Somente sentir mentiras
Vou aos extremos e transito totalidades
Sou tão verdadeira quanto valorizo a lealdade
Corro de um limite ao outro
desrespeitando o limiar na cara dura e torta
Caminhos extensos
Cansativos e tensos
Não creio no que não é
No que se diz
Somente se diz
Vivencio na carne os gestos trêmulos e petulantes
Pétalas de flores carnívoras
Vegetais cozidos e ensopados
Buquês de flores burguesas
Inglês demais pro meu tupi-
Guarani-negro-nato
Caipira-do-mato sem praga
que não se desmata
Nem se desbrava ou se explora
Somente se pode contemplar e retratar a mata e a relva
Insubordináveis
Estática de um boi parado abanando o rabo a me ver plantar
espalhar Sementes
Reflorestar o pasto
Não como carne de veado
Nem de piranha
Sou sereia de areia de pedras de rio
Nem Yara nem Ariel
Nem aquário nem Áries
Mas ares e mares, cachoeiras
Dores úmidas, sabores duros saberes de rios
Rio de tudo
Seguindo o lado paralelo da corrente da ordem natural do extraordinário
Tão exato quanto infinito
Tão pleno e bonito
quanto profundo e escuro do fundo do poço
Sou fonte de desejos e despejos
que não cabem em si,
nem em mim nem em ti
Nem nela
Extrapola
Criarte
Auto-transbordante
Singelas, exuberantes e singulares
Como flores de abril e de maio
Caliandras e pequypês do cerrado goiano
Grande sertão de fontes insecáveis
Em planícies e chapadas tridimensionais
quatro, cinco dimensões
Heptamente inesgotáveis e passíveis de chamas e possíveis cinzas de queimadas
Delírios sazonais
Reflexos racionais
De viagens literais
segunda-feira, 12 de junho de 2023
Deprê
Eu não quero morrer
não agora
não quero me matar
nem mais aos poucos
quero viver
quero sentir
quando acordo eu agradeço
vai ser mais um dia imprevisível
por mais que planejado
sempre acontece algo inesperado
Isqueiro
Essa chama que incendeia meu estômago
Me aquece, sua...
me estende a agonia da queimadura
queima!
Que esse fogo persista para que eu me lembre ao acordar o porque de aceitar viver o que vivo.
Foram várias noites e dias sem sentido.
Eu implorei por algo que arrancasse sangue do meu coração para que eu o sentisse vivo e pulsante
Quente
Eu implorei por sentir
Pelo pulsar
Agora que o vejo e o sinto não vou deixar passar batido
Quero que seja eterna essa chama
Apagada
terça-feira, 13 de julho de 2021
Sinto muito
Minha vontade era de te mandar embora. Não te deixar subir. Não deixar você entrar na minha vida. Não acredito nesse afeto, não identifico sua intenção. Se vai embora por que quer ficar? Se eu estava pensando em dividir ou melhorar eu já sei que perdi, perdi tempo e amor. Muita coisa ruim e adormecida foi despertada e isso dói.
Não quero perceber que não sou capaz de amar e ser amada, de ser amada ou dos dois. Perdi muita saúde. Perdi o pique e fiquei sem tesão, sem vontade. Queria que você quisesse. Queria querer sem medo, sem pensar que isso é uma forma de punição, aprendizado ou lição. Queria não sofrer por gostar de alguém que não se importa. Queria amar alguém que quisesse amar também. Não queria passar o tempo. Queria que o tempo passasse por nós. E por vezes perdia noção do tempo, até agora isso é confuso. E como fico confusa. Não posso querer gostar de você. Gostar de você seria como gostar de sofrer.
O fato de ter tudo para dar certo é e foi o que deu errado, desde o começo.
Eu sinto muito!
Eu sinto o que não existe ainda e talvez nem exista. Eu sinto tudo com uma força que não sei explicar. Eu só sei que dói. E quando me vejo no espelho chorando e olho pra mim e digo: quem quer ficar perto de você??!! De mim? E vejo novamente que estou sozinha. Podem bater na porta, gritar, eu até vou mas demoro semanas para me reencontrar, e os reencontros são passageiros. Amanhã vou ignorar tudo isso e em sessão de análise vou me reencontrar em algum papel que eu criei para não ter que me enfrentar novamente. E amanhã essa dor vai doer, não sei em qual intensidade, nem se em forma de alegria. Sabe, a felicidade também dói, ela também vai embora.
Deixar ir.
Uma das tarefas mais difíceis é deixar ir embora, logo eu que não suporto nada que me prenda, que sufoque, logo eu te condeno a me pertencer. Condenados à liberdade... como posso falar de liberdade se meu amor sufoca, maltrata e prende. Como posso resumir minha vida em duas palavras que constantemente negligencio, amor e liberdade? O que eu penso não é o que sinto e nem ao que quero. Desejo? Em qual espelho me encontro agora? Em qual me perco?
Gratidão e perdão. Perdão por idealizar, inventar, criar outras eus que não são eu e que não as reconheço. Desconheço e me confundo. O que é que eu tô fazendo? Gratidão por me avisar que iria me deixar. Por me mostrar que se pode ser legal e cuzão ao mesmo tempo. É importante, mas indefere. Confesso que só queria ter te beijado e nada mais. Mas você quis ficar e foi ruim. Mas você ficou e não foi embora. Naquele dia você não me humilhou como tantos outros fizeram. Você olhou de um jeito que procurei em tantos olhares até deixar de olhar nos olhos. Você viu algo que até hoje não sei o que foi. E eu me iludi de novo, eu criei algo para me enganar e depositar tudo em nada.
Isso que somos: NADA! Na verdade não somos. Não existe nós, eu inventei também. São apenas laços frouxos, fitas soltas, particulares que se envolvem mas não se cruzam. Linhas soltas. Soltos. Livres.
Espiral
quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
MENSURA
E podemos criar problemas tão maiores.
Filhos maiores.
Sonhos maiores.
Objetivos pequenos.
Pequenas conquistas.
Como se mensura a gratidão?
Cabe só no coração uma alegria?
Nervosismo que irradia todo o corpo.
Espalha. Esparrama.
O universo no seu umbigo.
Solidão em um abraço amigo, amigo.
Abrigo do sol, da chuva.
Abrigo de rua.
Na rua.
Cidade grande.
Mentes vazias.
Pessoas pequenas.
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
TIRANIA
e um escravo, um servo.
Todos carregam uma ditadura
O poder é simbólico e funcional
Os estímulos externos são eternos e ilusórios
Somos propensos à destruição em massa
surtos
Acompanhados das quedas de joelhos
de bruços
Seguidos de exagerados prantos
Arrependimento até a próxima ordem
Domínio descontínuo e desequilibrado
A liberdade é leve e aparece quando soltam as amarras
Só pesa em quem sente
Só machuca o contrariado
Só fere o patriarcado
Pega essa ditadura e caga toda pra fora. manda embora essa merda seja seu consolo de igualdade Seja anarquia.
domingo, 1 de maio de 2016
Devanear
Queria estar em paz
Queria algo mais
Enrugava a testa
Deitava no sofá
Jogava combinações
Pensava, chorava
Perguntava
Como poderia ser diferente
fazendo tudo igual
Acreditava que nunca conseguiria
Não tentava
E se tentasse
Não continuaria
Como se estivesse destinada a ser mesquinha
Infeliz
Queria saber o que era amor
Não ousava perguntar
Sabia que quando descobrisse
Seria o alívio de sua alma
Abandonara seus sonhos
Ganhara duas filhas
e muitas filas, linhas
Estrias e manchas
Reclamava mais do que agradecia
Chorava mais do que sorria
Exigia de todos
Tudo o que não tinha
A liberdade que queria havia se tornado ditadura
Acreditava que a vida era dura
Mal sabia
Não entendia porque tanto sofrimento
Porque doía tanto por dentro
Ela só queria ser feliz
Queria passar a leveza
Mas era pesada demais
Ninguém a suportava
Queria mudar
Não se ajudava
Quanto tempo levaria para cair de novo nesse abismo que cavara?
E se subisse
Cavaria ou cairia novamente?
Talvez atitude tivesse mais efeito que a razão
Já não lia. Não escrevia
E perdera tudo que aprendera
Apreendera tudo que não lhe pertencia
Não queria se preocupar
Queria viver. Amar
Ser, sentir-se
E parar com o auto-engano
Queria então agora mergulhar em si
E se afogar para renascer
Queria crescer
Queria sol, luar
Água fria, areia, mar
Terra, flores, pássaros...
Queria mais que estar
Ainda queria
Entregar-se a si mesma
Parar de se estragar
Se abraçar e transmitir a si toda energia contida pelo medo
Medo em si
Medo de ser
Medo de ser a mesma.
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Imaginário de nação
Imaginação de um
inventário de Brasil
De morro
Carnaval
Bunda
Fuzil
Cada dia um país novo
Cada velho um dia-a-dia
do povo
A eterna transitoriedade
No trânsito da esquina
Entre Israel e a Palestina
As fronteiras foram sangradas
Demarcadas a fogo
Tão Reais quanto invisíveis
Tão cruéis quanto possíveis
Escapam das mãos
queimam as cordas
Amarram as visões
Liberdade não tem nação
não tem pátria nem patrão