Ela queria gostar de si
Queria estar em paz
Queria algo mais
Enrugava a testa
Deitava no sofá
Jogava combinações
Pensava, chorava
Perguntava
Como poderia ser diferente
fazendo tudo igual
Acreditava que nunca conseguiria
Não tentava
E se tentasse
Não continuaria
Como se estivesse destinada a ser mesquinha
Infeliz
Queria saber o que era amor
Não ousava perguntar
Sabia que quando descobrisse
Seria o alívio de sua alma
Abandonara seus sonhos
Ganhara duas filhas
e muitas filas, linhas
Estrias e manchas
Reclamava mais do que agradecia
Chorava mais do que sorria
Exigia de todos
Tudo o que não tinha
A liberdade que queria havia se tornado ditadura
Acreditava que a vida era dura
Mal sabia
Não entendia porque tanto sofrimento
Porque doía tanto por dentro
Ela só queria ser feliz
Queria passar a leveza
Mas era pesada demais
Ninguém a suportava
Queria mudar
Não se ajudava
Quanto tempo levaria para cair de novo nesse abismo que cavara?
E se subisse
Cavaria ou cairia novamente?
Talvez atitude tivesse mais efeito que a razão
Já não lia. Não escrevia
E perdera tudo que aprendera
Apreendera tudo que não lhe pertencia
Não queria se preocupar
Queria viver. Amar
Ser, sentir-se
E parar com o auto-engano
Queria então agora mergulhar em si
E se afogar para renascer
Queria crescer
Queria sol, luar
Água fria, areia, mar
Terra, flores, pássaros...
Queria mais que estar
Ainda queria
Entregar-se a si mesma
Parar de se estragar
Se abraçar e transmitir a si toda energia contida pelo medo
Medo em si
Medo de ser
Medo de ser a mesma.
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