Às vezes penso que soou falsa em relação a algum sentimento
Daí me recordo que meu ascendente em gêmeos não me deixa mentir
Somente sentir mentiras
Vou aos extremos e transito totalidades
Sou tão verdadeira quanto valorizo a lealdade
Corro de um limite ao outro
desrespeitando o limiar na cara dura e torta
Caminhos extensos
Cansativos e tensos
Não creio no que não é
No que se diz
Somente se diz
Vivencio na carne os gestos trêmulos e petulantes
Pétalas de flores carnívoras
Vegetais cozidos e ensopados
Buquês de flores burguesas
Inglês demais pro meu tupi-
Guarani-negro-nato
Caipira-do-mato sem praga
que não se desmata
Nem se desbrava ou se explora
Somente se pode contemplar e retratar a mata e a relva
Insubordináveis
Estática de um boi parado abanando o rabo a me ver plantar
espalhar Sementes
Reflorestar o pasto
Não como carne de veado
Nem de piranha
Sou sereia de areia de pedras de rio
Nem Yara nem Ariel
Nem aquário nem Áries
Mas ares e mares, cachoeiras
Dores úmidas, sabores duros saberes de rios
Rio de tudo
Seguindo o lado paralelo da corrente da ordem natural do extraordinário
Tão exato quanto infinito
Tão pleno e bonito
quanto profundo e escuro do fundo do poço
Sou fonte de desejos e despejos
que não cabem em si,
nem em mim nem em ti
Nem nela
Extrapola
Criarte
Auto-transbordante
Singelas, exuberantes e singulares
Como flores de abril e de maio
Caliandras e pequypês do cerrado goiano
Grande sertão de fontes insecáveis
Em planícies e chapadas tridimensionais
quatro, cinco dimensões
Heptamente inesgotáveis e passíveis de chamas e possíveis cinzas de queimadas
Delírios sazonais
Reflexos racionais
De viagens literais
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