terça-feira, 13 de julho de 2021

Sinto muito

Minha vontade era de te mandar embora. Não te deixar subir. Não deixar você entrar na minha vida. Não acredito nesse afeto, não identifico sua intenção. Se vai embora por que quer ficar? Se eu estava pensando em dividir ou melhorar eu já sei que perdi, perdi tempo e amor. Muita coisa ruim e adormecida foi despertada e isso dói.

Não quero perceber que não sou capaz de amar e ser amada, de ser amada ou dos dois. Perdi muita saúde. Perdi o pique e fiquei sem tesão, sem vontade. Queria que você quisesse. Queria querer sem medo, sem pensar que isso é uma forma de punição, aprendizado ou lição. Queria não sofrer por gostar de alguém que não se importa. Queria amar alguém que quisesse amar também. Não queria passar o tempo. Queria que o tempo passasse por nós. E por vezes perdia noção do tempo, até agora isso é confuso. E como fico confusa. Não posso querer gostar de você. Gostar de você seria como gostar de sofrer.

O fato de ter tudo para dar certo é e foi o que deu errado, desde o começo. 

Eu sinto muito!

Eu sinto o que não existe ainda e talvez nem exista. Eu sinto tudo com uma força que não sei explicar. Eu só sei que dói. E quando me vejo no espelho chorando e olho pra mim e digo: quem quer ficar perto de você??!! De mim? E vejo novamente que estou sozinha. Podem bater na porta, gritar, eu até vou mas demoro semanas para me reencontrar, e os reencontros são passageiros. Amanhã vou ignorar tudo isso e em sessão de análise vou me reencontrar em algum papel que eu criei para não ter que me enfrentar novamente. E amanhã essa dor vai doer, não sei em qual intensidade, nem se em forma de alegria. Sabe, a felicidade também dói, ela também vai embora. 

Deixar ir.

Uma das tarefas mais difíceis é deixar ir embora, logo eu que não suporto nada que me prenda, que sufoque, logo eu te condeno a me pertencer. Condenados à liberdade... como posso falar de liberdade se meu amor sufoca, maltrata e prende. Como posso resumir minha vida em duas palavras que constantemente negligencio, amor e liberdade? O que eu penso não é o que sinto e nem ao que quero. Desejo? Em qual espelho me encontro agora? Em qual me perco? 

Gratidão e perdão. Perdão por idealizar, inventar, criar outras eus que não são eu e que não as reconheço. Desconheço e me confundo. O que é que eu tô fazendo? Gratidão por me avisar que iria me deixar. Por me mostrar que se pode ser legal e cuzão ao mesmo tempo. É importante, mas indefere. Confesso que só queria ter te beijado e nada mais. Mas você quis ficar e foi ruim. Mas você ficou e não foi embora. Naquele dia você não me humilhou como tantos outros fizeram. Você olhou de um jeito que procurei em tantos olhares até deixar de olhar nos olhos. Você viu algo que até hoje não sei o que foi. E eu me iludi de novo, eu criei algo para me enganar e depositar tudo em nada. 

Isso que somos: NADA! Na verdade não somos. Não existe nós, eu inventei também. São apenas laços frouxos, fitas soltas, particulares que se envolvem mas não se cruzam. Linhas soltas. Soltos. Livres. 

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