sábado, 6 de abril de 2024

Flores de abril e maio

Às vezes penso que soou falsa em relação a algum sentimento

Daí me recordo que meu ascendente em gêmeos não me deixa mentir 

Somente sentir mentiras

Vou aos extremos e transito totalidades

Sou tão verdadeira quanto valorizo a lealdade

Corro de um limite ao outro 

desrespeitando o limiar na cara dura e torta

Caminhos extensos 

Cansativos e tensos

Não creio no que não é 

No que se diz 

Somente se diz

Vivencio na carne os gestos trêmulos e petulantes

Pétalas de flores carnívoras 

Vegetais cozidos e ensopados

Buquês de flores burguesas

Inglês demais pro meu tupi-

Guarani-negro-nato

Caipira-do-mato sem praga 

que não se desmata 

Nem se desbrava ou se explora

Somente se pode contemplar e retratar a mata e a relva

Insubordináveis

Estática de um boi parado abanando o rabo a me ver plantar 

espalhar Sementes 

Reflorestar o pasto 

Não como carne de veado

Nem de piranha

Sou sereia de areia de pedras de rio

Nem Yara nem Ariel

Nem aquário nem Áries

Mas ares e mares, cachoeiras

Dores úmidas, sabores duros saberes de rios

Rio de tudo

Seguindo o lado paralelo da corrente da ordem natural do extraordinário

Tão exato quanto infinito

Tão pleno e bonito 

quanto profundo e escuro do fundo do poço

Sou fonte de desejos e despejos

 que não cabem em si,

nem em mim nem em ti

Nem nela

Extrapola

Criarte

Auto-transbordante 

Singelas, exuberantes e singulares

Como flores de abril e de maio

Caliandras e pequypês do cerrado goiano

Grande sertão de fontes insecáveis

Em planícies e chapadas tridimensionais 

quatro, cinco dimensões

Heptamente inesgotáveis e passíveis de chamas e possíveis cinzas de queimadas

Delírios sazonais

Reflexos racionais

De viagens literais