sábado, 21 de novembro de 2009

Práxis

O que penso nem sempre falo

O que considero importante
pode ser o mais banal

E quando penso que raciocino
é quando tenho mais dúvidas

Deveria me concentrar
Esquecer as coisas fúteis e superficiais
Mas...
não é bem assim
A prática não corresponde à teoria
O que digo não é bem o que faço

E, antes que eu me esqueça:
"A Verdade" não existe!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Fragmentos da "História de um Brâmane"

"Aqueles que estão contentes consigo mesmos estão bem certos de estar contentes, mas aqueles que raciocinam não têm tanta certeza de raciocinar bem. Se damos muito valor à felicidade, damos mais ainda à razão. Ninguém aceita se tornar imbecil para ser contente [...] Mas, refletindo bem, parece uma insensatez preferir a razão à felicidade. Como se explica, pois, tal contradição? Como todas as outras. Aí há muito de que falar." (Voltaire)

MENTE VAZIA

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sem título

Sem nome
Sem corpo
Sem compromisso

Sem dor
Sem amor
Sem vontade

Sem medo
Sem saber
Sem porque

Sem querer
Sem culpa
Sem tudo isso

Sem teto
Sem sentido
Sem ser

Sem estar
Sem entender
Sem falar

Sem nada
Sem comer
Sem sonhar

Sem fazer

então,
pra que??

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Conversas cotidianas

Interessante o modo como perco tempo preocupada com problemas. Mais interessante ainda é pensar que o melhor é ficar calada. Se falo dos meus problemas percebo que o ouvinte não se interessa ou alimenta ainda mais minhas preocupações, isso, quando não ignora e finge não escutar. Se falo de minhas alegrias e desejos percebo que é algo pessoal, logo as reações podem ser de apoio, inveja, felicidade recíproca, mas não compartilhada, em si, com excessão de planos conjuntos. Se falo de algo abstrato ou não pessoal, daí sim me surpreendo!
É maravilhoso poder opinar e escutar pontos de vista diferentes. Há muitas pessoas com visão crítica ou mesmo simples, mas vivas, que alimentam essa vontade de relação, de diálogo.
O difícil é lidar com o tipo de assunto. Falar de coisas que incomodam, sem ter consciência disso é muito constrangedor. Falar de coisas positivas podem não ser positivas para outros. Falar do que quer para alguém que escuta, mesmo que não concorde, mas que ouça, é uma das coisas mais bonitas que existe.
As conversas quando valorizadas têm alcance que muitas vezes não percebemos. Assim como as músicas, os filmes, as peças de teatro, os livros estão representando palavras, teorias, frases que nos influenciam, as conversas cotidianas também constróem, acrescentam ou mesmo modificam nossas opiniões e essas são de alguma forma passadas para outras pessoas, caindo na dialética, novamente.
O desagradável para mim pode ser agradável para outra pessoa, ai entra a importância de conhecer as pessoas do convívio social ou para a qual se fala. Não é difícil evitar um assunto chato, não é difícil conhecer, valorizar, não é difícil ficar calada quando for preciso, não que seja questão de bom senso, mas de consciência sobre o ser com quem se dialóga.
Falar coisas desagradáveis atrapalha mais do que colobora para algo criativo, válido. Não que sejam inválidos alguns assuntos, mas talvez, desnecessários, irrelevantes. Perdemos tanto tempo com coisas desnecessárias que esquecemos de ouvir, conhecer, compartilhar, viver, conversar...

"No mundo moderno, as pessoas não se falam, ao contrário, se calam, se pisam, se traem, se matam. Embaralho as cartas da inveja e da traição: Copa, Ouro e uma Espada na mão. O que é bom é pra si, o que sobra é do outro, que nem o sol que aquece mas também apodrece o esgoto." (Edivaldo Pereira Alves) EDI ROCK

terça-feira, 9 de junho de 2009

Posse

Não é pessimismo, nem pose, como diria Gessinger. Mas me encomoda profundamente a maneira como necessitamos TER. EU TENHO: roupas, calçados, móveis, acessórios, shampoo, lugar pra dormir, um estágio, família, amigos(acredito eu), namorado, ex-namorado, vontades, uma gatinha, livros, cds e diversas coisas que não me cabem agora descrevê-las, mas... será que cabem no MEU bolso?
Ainda não descobri a forma de carregar tudo comigo, a não ser na minha imaginação, que por sinal é imaterial, assim, transformo tudo em matéria, ou tudo o que já é matéria, em memória, lembrança, sentimento, seja lá o que for imaterial para que eu consiga carregar comigo tudo o que é MEU.
Mas o problema terrível que percebo, não é a posse das minhas coisas, afinal tenho plena consciência de que elas são necessárias, talvez nem tanto, para a minha sobrevivência. E acho que poucos percebem onde reside o problema. Um professor meu, baseado em outros professores, baseados em Marx, daria o nome de REIFICAÇÃO para esse fenômeno que não me engano em acreditar que descobri(se até nome já tem!!)...
O problema reside em coisificar as pessoas para tomar posse delas, mas oras, são PESSOAS!!! Como posso eu, na minha humilde vida, tomar posse de outras vidas? Ainda acredito em liberdade, no sentido que dou a essa palavra, e realmente, com toda a minha fé, acredito que as pessoas não são coisas, e são livres de qualquer posse, a não ser em caso de escravidão.
Não quero estar equivocada, mas devo relacionar o sentimento de posse com a influência do modo de produção capitalista,mesmo sabendo que deveria estudar muito para buscar as raízes dessa possessividade dos seres humanos... o que seria muito interessante. Quero ressaltar, não a base, mas o desenvolvimento desse sentimento num sistema que oferece liberdade de compra, de posse, de empréstimo e acaba trazendo para a existência e relacionamento humano a mesma lógica de mercado.
E assim, ficamos limitados a prender, a possuir e esquecemos da liberdade que podemos ter se não nos submetemos à essas lógicas, sejam culturais, econômicas, ou seja da vontade do ser, que em muito está tiranizada pelo modo de agir e influenciar das maiorias (um pouco de Tocqueville)...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Ego

As atitudes e ambições humanas parecem, em geral, voltadas para o interesse próprio. Uns fazem caridade porque se sentem bem, outros querem o bem das pessoas que amam porque as amam... outros só querem seu próprio bem e pronto. Tudo em torno de si e para si. Ego. O indivíduo acima da coletividade, e a união dos indivíduos perpetua a coletividade. Então busca-se o bem do coletivo ou o bem do indivíduo? Desde que todos tenham as mesmas vontades todos ficarão satisfeitos. E como lidar com a singularidade humana? Sem tais diferenças provalvelmente essa imensa engrenagem não funcionaria, as máquinas que nos tornamos não seriam capazes de criar e disponibilizar um universo de variedades se não fossem esses constrastes e ambições que visam somente cada qual a si próprio. Acho que está na hora de buscar a coletividade primeiro que o individualismo, de transformar essas vontades para todos e aproveitar a variedade existente pensando além do limite do próprio corpo. Para acontecer cada um precisa querer para si o melhor para cada ser...